sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A DEPRESSÃO E O CASAL

Cada vez há mais pessoas com Depressão. Todos conhecem alguém com Depressão, seja esta moderada ou grave. O termo Depressão é, por vezes, usado de forma vulgar, como se não se tratasse de algo muito grave. Há pessoas que o usam erradamente quando se referem que só estão tristes. E há quem associe a: “ele(a) não quer é fazer nada”, “isso já passa”, “precisas é de trabalhar mais”, são comentários de desdém e de desvalorização e são sempre ditos por pessoas que nunca estiveram com Depressão.

O curioso é que estamos a falar de fortes sentimentos de tristeza, angustia, solidão, desamparo, dor, impotência, pensamentos suicidas e de um grande sofrimento emocional. É uma dor insuportável que não é visível aos outros e não tem recuperação rápida. Há pessoas que têm muita dificuldade em perceber genuinamente este sofrimento. Podem ser condescendentes e dizer que compreendem, mas continuam a achar que estar deprimido é apenas ser preguiçoso.

Esta falta de empatia pelo sofrimento do parceiro(a), tem implicações graves no casal, tanto ao nível sexual pela diminuição do desejo, como pelo comportamento de apatia, desmotivação, falta de iniciativa, não querer saber do que se passa à sua volta.

Começa a haver menos cumplicidade, a rotina passa a ser mais pesada, com tendência para haver mais conflito e afastamento. Casais que ao longo da relação não estimularam a amizade entre si, sentem maior dificuldade em cuidar e entender.

O cuidar é organizador para quem é cuidado mas também para quem cuida. Sendo organizador vai ajudar que os sintomas da Depressão sejam menos pesados e tenha um efeito mais tranquilizante. Os acontecimentos de vida positivos também ajudam a reduzir este sintomas, assim como a psicoterapia, a medicação e o amparo familiar são essenciais para o tratamento e cura da Depressão.  









A ANSIEDADE E AS CRISES DE PÂNICO

Tal como a Depressão, também a Ansiedade trás consequências para a relação conjugal e para todas a relações no geral. A Ansiedade a passo com a Depressão, são perturbações cada vez mais frequente:

Quem não sofre ou já não ouviu falar de alguém que sofre de Ansiedade?

A forma como a Ansiedade se manifesta depende muito de pessoa para pessoa, do modo como está estruturada emocionalmente. Os sintomas podem ser muito diferentes. Geralmente os mais valorizados são os físicos que levam à procura de um diagnostico para o que sentem e recorrem à realização de exames ao coração (palpitações, dor), ao estômago (enfartamento, vómitos), a garganta (dificuldade em engolir), a cabeça (dor intensa, vertigens), entre outros sintomas como a sudorese, sensação de desmaio, náuseas, perda de controlo, dificuldade de orientação espacial, pensamentos repetitivos e violentos. Estes são só alguns dos sintomas mais frequentes.

A crise de pânico é um pico de ansiedade generalizada e é descrita por muitos como uma sensação assustadora de perda de controlo. Muitas pessoas sentem que vão morrer, por isso, na maior parte das vezes que acontece a pessoa recorre ao hospital. É extremamente doloroso!

Frases como: “isso é psicológico!, não é nada, não ligues a isso!” São uma crença, ao dize-lo está a desvalorizar a dor e ainda acrescenta que a pessoa está a mentir ou não quer fazer nada para melhorar. Os sintomas são reais, a dor é real e só surgem porque emocionalmente ou psicologicamente há sofrimento. É o corpo, através de sintomas físicos que envia alertas: “Não estou bem, toma conta de mim”. Deve-se fazer exames clínicos para despiste.

Se é Ansiedade é importante perceber o que causa a agitação e a inquietação. É preciso identificar, elaborar e ultrapassar. Deve-se lembrar que a ansiedade tem sempre a ver com o momento a seguir, com o que vai acontecer seja a curto ou a médio prazo.

No casal pode ser também um motivo de conflito pelo não entendimento do outro e/ou pelo não querer saber. “Ele(a) só quer atenção!” Então dê atenção, mas dê atenção à pessoa e não ao sintoma.

AMPARE! DÊ COLO! CUIDE! 
As crises de Ansiedade têm cura.







ESCUTA ACTIVA


A escuta é muitas vezes mais importante do que a fala em terapia. Na realidade, a maior parte das formas de falar do psicoterapeuta e a postura que tem durante a sessão, destinam-se também a demonstrar que ele escuta / ouve. É uma das ferramentas mais importantes da relação terapêutica.

Em terapia escutamos com os ouvidos, com os olhos, com a postura, escutamos com todo o corpo. Mostramos ao outro que estamos a escuta-lo, que estamos atentos. Escutar é mais do que ouvir, é mais do que simplesmente escutar com o ouvido. 

Uma sessão terapêutica não é simplesmente uma conversa, uma vez que o psicoterapeuta está completamente envolvido no que está a acontecer, no outro. Escuta mais do que aquilo que fala, se não fizer uma boa escuta, terá uma maior dificuldade em perceber o paciente. É também através desta boa escuta que o psicoterapeuta faz uma boa leitura e análise do outro. 

É escutar para além do que a pessoa narra. Enquanto os amigos podem ouvir a mesma história, a forma como esta é escutada pelo psicoterapeuta é completamente diferente. Não se ouve apenas a história, mas também o que a pessoa está a dizer para além da história. As emoções, vivências, impacto que teve e tudo o que envolva o narrador. 

Metaforicamente é como se a imagem do(a) psicoterapeuta fosse todo ele um ouvido com uns olhos muito grandes, para captar o som e a imagem de tudo o que está a acontecer. Nesta imagem surgem os braços para conter as coisas do outro.




  COLO EMOCIONAL


O psicoterapeuta cria um espaço ao outro para que este possa colocar as suas coisas sem que seja sentido por ele como abusivo ou invasivo. Há todo um processo livre de “vir e ir” do próprio paciente, o psicoterapeuta não interfere com pressão, mas sim com as técnicas de intervenção terapêuticas adequadas ao momento.

Contenção ou o colo emocional é conter a emoção do outro.  É ouvir / escutar a experiência do outro, é ser contentor do seu sentir, e pode ser feito através do traduzir, ler e/ou devolver a mensagem.  A representação física deste conter seria como se os braços estivessem esticados e abertos de forma a podermos conter, mas ao mesmo tempo deixar ir, permitindo um movimento dinâmico de entrada e saída. 

Onde o paciente “vem”, “senta”, “conta” e “vai”. Por exemplo, o paciente ao contar uma situação expressa uma emoção do que está a vivenciar, e do que está a sentir no momento. A forma como este sente que isto está a acontecer, é como se lhe dissessemos: “Pode continuar que eu estou cá para si”.