Apetece-me contar uma historia. A historia de
uma gata chamada Nina. Nina é muito observadora, o que mais gosta de fazer é
andar pelas ruas, de janela em janela à procura de famílias. Gosta de observar
famílias, apesar de não perceber muito bem como funciona a relação entre os
humanos, sente dificuldade em perceber como se relacionam. É uma gata muito DaDa,
gosta muito de cuidar das pessoas.
Uma das famílias que mais gosta de observar, é
um casal com dois filhos adolescentes. A Nina repara no que fazem, gosta de os
ver a trabalhar em equipa, cada um cumpre as suas tarefas, os filhos por vezes
tem de ser ajudados para conseguirem alcançar os objectivos, mas cumprem. É uma
família onde se fala pouco, discute-se pouco. Tudo corre bem. Todos estão nos
seus quartos ocupados com os seus smartphones, tablets e computadores.
É uma família funcional. Contudo, Nina sente
alguma estranheza, e por isso, decidiu ficar mais tempo com a mesma família,
até que chegou a hora do jantar. Com alguma resistência lá se sentaram todos à
mesa em frente à televisão para ver as noticias ou até mesmo uma série. Os telemóveis
estão em cima da mesa, de que fazem parte, como se fossem talheres.
Estão todos juntos, focados na tv ou nas
redes sociais, não se ouve nada, as refeições são feitas em silêncio. “O
importante é que estamos todos juntos” diria um deles. Será que estão? perguntaria
a Nina, pois esta acha que as refeições são o momento privilegiado do dia para
a família estar unida e para falar sobre o dia. É um momento de partilha e de
escuta, seja da parte dos filhos, seja da parte do casal/pais.
A Nina fica triste por ver tantas famílias tão
pouco unidas, com tão pouca proximidade e nenhuma cumplicidade. Mas continuou a
acompanhar a família, desta vez ao restaurante. Enquanto o pai conduzia, os
irmãos e a mãe passavam os olhos pelas noticias das redes sociais. Escolheram
aquele restaurante por ter televisão. Sentaram-se à sua frente para poderem
acompanhar o futebol ao mesmo tempo que jantavam, tiravam selfies e publicavam
nas redes sociais. Estão lá fisicamente, estão juntos, mas ao mesmo tempo estão
mais sós do que a Nina.
O mais curioso para a Nina foi perceber que
cada vez há mais humanos a sofrer com solidão. Parece que nunca estão sozinhos,
mas nunca estão é em relação.
Foi observado por uma gata. Imagine o que os
humanos poderiam mudar se quisessem mesmo observar e pensar na gravidade e nas consequências
sérias deste tipo de comportamento que é permitido em família e promovido pela família.
Não deixe. Promova a RELAÇÃO.