quinta-feira, 16 de julho de 2015

A FAMILIA E AS REDES SOCIAIS


Apetece-me contar uma historia. A historia de uma gata chamada Nina. Nina é muito observadora, o que mais gosta de fazer é andar pelas ruas, de janela em janela à procura de famílias. Gosta de observar famílias, apesar de não perceber muito bem como funciona a relação entre os humanos, sente dificuldade em perceber como se relacionam. É uma gata muito DaDa, gosta muito de cuidar das pessoas.

Uma das famílias que mais gosta de observar, é um casal com dois filhos adolescentes. A Nina repara no que fazem, gosta de os ver a trabalhar em equipa, cada um cumpre as suas tarefas, os filhos por vezes tem de ser ajudados para conseguirem alcançar os objectivos, mas cumprem. É uma família onde se fala pouco, discute-se pouco. Tudo corre bem. Todos estão nos seus quartos ocupados com os seus smartphones, tablets e computadores.

É uma família funcional. Contudo, Nina sente alguma estranheza, e por isso, decidiu ficar mais tempo com a mesma família, até que chegou a hora do jantar. Com alguma resistência lá se sentaram todos à mesa em frente à televisão para ver as noticias ou até mesmo uma série. Os telemóveis estão em cima da mesa, de que fazem parte, como se fossem talheres.

Estão todos juntos, focados na tv ou nas redes sociais, não se ouve nada, as refeições são feitas em silêncio. “O importante é que estamos todos juntos” diria um deles. Será que estão? perguntaria a Nina, pois esta acha que as refeições são o momento privilegiado do dia para a família estar unida e para falar sobre o dia. É um momento de partilha e de escuta, seja da parte dos filhos, seja da parte do casal/pais.

A Nina fica triste por ver tantas famílias tão pouco unidas, com tão pouca proximidade e nenhuma cumplicidade. Mas continuou a acompanhar a família, desta vez ao restaurante. Enquanto o pai conduzia, os irmãos e a mãe passavam os olhos pelas noticias das redes sociais. Escolheram aquele restaurante por ter televisão. Sentaram-se à sua frente para poderem acompanhar o futebol ao mesmo tempo que jantavam, tiravam selfies e publicavam nas redes sociais. Estão lá fisicamente, estão juntos, mas ao mesmo tempo estão mais sós do que a Nina.

O mais curioso para a Nina foi perceber que cada vez há mais humanos a sofrer com solidão. Parece que nunca estão sozinhos, mas nunca estão é em relação.

Foi observado por uma gata. Imagine o que os humanos poderiam mudar se quisessem mesmo observar e pensar na gravidade e nas consequências sérias deste tipo de comportamento que é permitido em família e promovido pela família.

Não deixe. Promova a RELAÇÃO.

sexta-feira, 27 de março de 2015

A FAMÍLIA E O TPC




A dinâmica das famílias no seu dia-a-dia gira muito à volta das tarefas/ actividades dos seus filhotes, nomeadamente os TPC`s. Esta exigência começa logo no jardim de infância com pequenas tarefas. A partir do 1º ano do ciclo começa a haver um aumento de exercícios para fazer em casa, sendo que no 2º ciclo estes são multiplicados pelo número de disciplinas.  

Segundo alguns professores deve haver muito treino, quanto mais praticarem, mais treinarem, mais rapidamente adquirem conhecimentos, mais rápido aprendem e evoluem na aquisição dos conhecimentos exigidos pelos programas escolares. De facto, o treino é uma boa forma para aprender. Mas também sabemos que não se consegue estar sempre a aprender. Oiço pais a queixarem-se da falta de tempo para fazer outras coisas com filhos: “devem achar que os meus filhos não tem vida para alem da escola! Os meus filhos e eu, por vezes são horas de volta dos trabalhos de casa”.

E isto porque alguém disse que era importante a criança treinar muito para aprender e envolver os pais nos estudos. O que acontece quando a criança esta cansada, não quer mais, já chegou o dia de aulas, assim como também já chegou aos pais o dia de trabalho? Estão ambos exaustos, pouco disponíveis para mais obrigações. Surge o conflito. Todos já ouviram dizer: “o final do dia é sempre cheio de birras/ conflito por causa deles não quererem estudar” e aos adultos apetece continuar a trabalhar no mesmo?

É um abuso os adultos sobrecarregarem os seus filhos com a mesma agenda pesadíssima. Parece que por vezes o único pensamento dos pais e professores é: “tens de ser melhor”. Mas o principal é a criança perceber que os pequenos sucessos são valorizados e não ouvir: “Isso não é nada tu consegues melhor, tens de trabalhar mais”, são os pequenos suficientes que dão confiança e segurança para conseguir fazer melhor.

Porque não propor aos pais e professores, como TPC para as crianças, ir com a família ver exposições, peças de teatro, filmes, series, documentários ou ate mesmo sites com respectivas temática da matéria que esta a ser dada na aula. Seria uma forma de envolver a família e aprender de modo mais divertido, produtivo e prazeroso.

É trocar o conflito, a discussão “já vou” e o stress dos TPC´s em algo lúdico e bom. É criar uma dinâmica divertida e tranquila de final do dia em que todos ganham e aprendem que APRENDER EM FAMÍLIA É MUITO BOM.