Quando se casa ou se vai viver maritalmente surgem muitas expectativas e fantasias boas. O facto de estarmos enamorados, apaixonados, faz acreditar que o futuro a dois será fácil e para sempre.
A nova casa significa o partilhar, o juntar de “coisas”, objetos, educação, valores, vivencias e personalidades. É esta adaptação que torna os primeiros meses por vezes tão difíceis. É quando há o confronto entre o que é meu, e o que é teu. É quando começamos a formar o que é nosso. Podem ser meses complicados, e a frustração e a desilusão podem aumentar o conflito. É normal sentir estas emoções, fazem parte do amadurecimento do casal.
Por exemplo a gestão da casa tem a ver com os hábitos da família de origem. Dizer: “a comida da minha mãe é melhor” ou “o meu pai não deixa a roupa espalhada pela casa”, acentuam as diferenças. Cada um leva os seus hábitos para a nova casa esperando que o outro os adote. No entanto, estão a criar uma nova família.
É comum uma das partes ceder para evitar o conflito. Se a cedência for razoável e não trouxer zanga, ótimo. A minha experiencia clínica mostra, contudo, que a zanga vem depois. “Cedi tanto e não fui compensado(a)”. Este sentimento de zanga e injustiça acaba sempre por surgir numa discussão. O mais saudável e equilibrado é a cedência de ambos. Ambos têm que ajustar o que trazem de cada família e o que querem para a sua.
Num casal uma parte estava habituada a dormir com o estore aberto, a outra só conseguia dormir com o estore completamente fechado. Como era mais fácil habituar-se a dormir com tudo às escuras foi a primeira que cedeu. Porém para esta era insuportável dormir sem que o lençol estivesse bem dobrado, e a outra cedeu também. Conseguiram ajustar a forma como dormem juntos. Este ajustamento só é possível conversando sobre as diferenças, percebendo o que é melhor para NÓS. Quando nenhum dos lados cede seguem-se meses de divergências, de conflito e de sofrimento, o que leva, muitas vezes, à implicância, à zanga e à rutura. São as “pequenas coisas” geridas pelo casal através da divisão de responsabilidades, partilhas, cedências e tolerância que tornam a relação mais saudável. Tentem.
07 Fevereiro 2012
Publicado em: www.revistadada.com
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