sexta-feira, 5 de outubro de 2012

1+1=3


A equação não é minha e matematicamente não é possível. Contudo quando falamos de relações amorosas é disso que falamos. Eu+Tu=Nós, como elementos distintos mas tão necessários de ter em atenção para uma relação saudável.


A ideia de “viver feliz para sempre” faz com que o casamento seja visto como o fim e não o início de um percurso a dois. Para conseguir ultrapassar as dificuldades do dia a dia é imprescindível que o casal invista no “nós”. Este aspeto é um dos mais importantes para o enriquecimento da união. 

Não encontrar ou perder o “nós” leva muitas vezes ao conflito, à infidelidade e ao divórcio. A procura deste equilíbrio leva, por outro lado, muitos casais à terapia.

Cada um entende que pode negar, confirmar ou transformar o outro. Como um paciente disse: “Agora que consegui que ela mudasse (após dez anos de discussão), é que me apercebi que estava apaixonado pelo que ela era, e não por aquilo que eu quis que se tornasse”. Curioso não é? Os casais gastam tanto tempo a criticar e a querer mudar o outro que se esquecem de que se enamoraram por aquela pessoa. Querem que o outro se torne mais parecido consigo e não valorizam as diferenças pelas quais se sentem atraídos.

Para que surja um “nós” é necessário que haja dois “eus”. Maduros, que discutam, se zanguem, reclamem, refilem, conversem e façam as pazes. O processo de procura do “nós” é recheado de confusões, desilusões e desentendimentos. É descobrir a dois, é errar a dois, é principalmente crescer a dois, na relação e individualmente. 

Em consultório, um casal confrontado com o “onde anda o nós”, fica surpreendido. Tinham entrado num ciclo vicioso de apontar o dedo um ao outro, ao que cada um queria individualmente, que se esqueceram do que ambos tanto queriam: O Nós.

É através da descoberta de cada um e do “Nós” que se inicia a caminhada a dois para uma relação segura e gratificante. 

11 Novembro 2011 

Publicada em: www.revistadada.com

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